Após muitos anos de rumores, ansiedade e desespero de milhares de fãs, na E3 de 2016, a Sony decidiu, finalmente, lançar uma das cartas que tinha guardadas na manga, sabe-se lá há quanto tempo.

Após uma entrada única, onde se pode ver a sombra de uma figura inconfundível a atravessar o palco, ao som da respectiva e inesquecível banda sonora, grande parte dos membros da plateia entrou em êxtase e a versão remasterizada de Crash Bandicoot estava, por fim, anunciada.

Ao fim de 20 anos, teríamos então, de volta, um dos maiores clássicos do mundo dos jogos.
Com a promessa de trazer os três grandes clássicos da trilogia original, exatamente como os fãs se lembravam deles, num só disco e com um grafismo correspondente ao das gerações de consolas atuais, o entusiasmo era inevitável e era tudo o que os fãs mais queriam e poderiam ter pedido.

Após anunciada a data de lançamento: 30 de Junho de 2017, o histerismo e ansiedade de antigos e novos fãs só aumentava e, chegado o dia de lançamento, não tardaram as imensas criticas e comentários bastante positivos e alguns negativos, claro. Está certo que os grandes fãs podem ter tendência a ser demasiado liberais com as franquias que adoram mas, por vezes, basta um deslize com a sua série de jogos favorita, para essa ser arrasada e ser colocada de parte pelos mesmos.

Ora, com 2,5 milhões de cópias vendidas em 3 meses (e a somar), é seguro dizer que Crash Bandicoot não só não deslizou, como rodopiou pelo mercado dos videojogos e tombou diretamente na prateleira e no coração de milhões de pessoas, em todo o mundo.

Resultado de imagem para crash bandicoot dance gif


Como pontos negativos, destacaram-se alguns bugs (erros de grafismo ou jogabilidade do jogo), que foram sendo resolvidos ao longo do tempo, através de patches e atualizações; queixas da dificuldade, visto que muitos jogadores insistem em dizer que o jogo está mais difícil do que o original; pequenas diferenças nas texturas de certas partes do cenário, que dificultam certas trapaças e atalhos não convencionais; e pequenas alterações na banda sonora e efeitos sonoros do jogo, por exemplo, ao apanhar certos itens.

Fatores negativos não muito complexos que não estragam, a meu ver, a experiência do jogo.

Já nos pontos positivos, destacaram-se os gráficos; a jogabilidade divertida e fiel à dos jogos originais; o novo conteúdo (descrito mais à frente no texto) e, claro, toda a nostalgia que foi proporcionada. Lembrando que o jogo foi refeito de raíz, como se fosse um jogo completamente novo. Desde grafismo a banda sonora e efeitos sonoros. (Trazendo ainda as mesmas vozes que deram vida às personagens na trilogia original). Sendo assim, temos de pensar que não seria tão fácil, em certos aspectos, ficar exatamente igual ao original.

Até porque, devido à evolução da tecnologia e dos videojogos em si, há certas irregularidades que foram corrigidas e seriam difíceis de obter exatamente como eram, mas é de louvar o trabalho aqui feito e o resultado obtido.

O marsupial mais adorado do mundo deixou então de ser um animal quadrado e pixelizado, com braços enormes, para passar a ser um animal recheado de texturas e pormenores muito bem conseguidos, como é o caso do pelo. Quanto ao ambiente em redor, texturas das caixas, todos os cenários, e restantes personagens, também foram igualmente bem trabalhados e o resultado está à vista.

Resultado de imagem para crash bandicoot comparison gif

Para além de cumprir praticamente tudo o que prometeu, ainda conseguiu trazer novidades e mais desafios inéditos:

  •  Os famosos e difíceis “time trials”, em que o objectivo é tentar finalizar o nível no menor tempo possível, de modo a obter uma “relíquia” [relic], (quanto mais rápido se fizer, mais valor tem a “chave”, consoante tempos predefinidos no jogo), distribuem-se agora por todos os níveis de todos os três jogos. O que pode ser uma boa notícia para os que gostam de desafios, mas será, talvez, uma má notícia para quem não tem a paciência e astúcia para estar horas, possivelmente, a tentar conseguir o melhor tempo (relíquia de platina).
  •  Coco, irmã de Crash, é agora utilizável e pode substituir o Crash na maior parte dos níveis.
  • Um novo nível, nunca antes visto, que era suposto ter entrado no primeiro jogo mas acabou por não acontecer, porque era demasiado difícil, está agora disponível na loja online da playstation (PS Store), para descarregar e para quem quiser testar a sua habilidade no que, segundo dizem, é o nível mais difícil dos três jogos.
  • Por fim, uma nova animação, daquelas que ocorrem quando se está muito tempo sem pressionar qualquer botão, em que é possível ver Crash e Aku Aku (a máscara ancestral de madeira, companheira de Crash, que lhe dá proteção, quando adquirida) a jogar voley com uma Wumpa Fruit (frutas que consistem na mistura entre maçãs e mangas, que são apanhadas ao longo dos níveis, dando uma nova vida a Crash, a cada 100 coleccionadas). Esta animação foi concebida num concurso, em que seriam os fãs a enviar as animações desenhadas. A que o júri gostasse mais, ficaria no jogo.
Resultado de imagem para crash wumpa fruit gif

Em conclusão, Crash Bandicoot N’sane Trilogy foi um verdadeiro sucesso, assim como os clássicos de 96, e a tendência é para crescer ainda mais, pois já foi anunciado para outras plataformas, como a Xbox e a Nintendo Switch. Quebrando, assim, o selo de exclusividade da Sony e fazendo a alegria de montes de fãs que não puderam jogar porque não tinham uma Playstation 4 em casa. No que pode ser um pequeno passo para as produtoras, mas um grande passo, a meu ver, para o futuro dos multiplataformas e cross-play entre consolas.

Author

Entusiasta da escrita e da criação de conteúdo, apaixonado por tudo o que é audiovisual e tudo o que envolva criatividade, como jogos, filmes, séries, edição de imagem/vídeo/áudio.

Deixa um Comentário!