Três Podcasts de Ficção Indie

Eu já referi muitas vezes que o que eu melhor faço nesta vida é procrastinar. Uma das maneiras com que eu queimo tempo é com webcomics, outra das maneiras é com podcasts. E ainda que eu goste muito de podcasts estilo talk show, estilo conversa informal sobre um assunto, uma das vertentes que eu gosto mais no mundo dos podcasts é a ficção.

Absolutamente ninguém está surpreendido.

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A ficção só em áudio remonta até aos tempos da rádio, das novelas e séries radiofónicas, em que a falta de imagem não era vista como uma limitação, mas uma potencialidade. E atualmente encontrou no formato podcast um meio novo e cheio de potencial, especialmente para storytellers do panorama indie.

O formato podcast não só se vem apresentar como uma alternativa ao formato vídeo, que continua a ser mais custoso do que apenas áudio, como também tem ainda outra potencialidade: é um meio mais acessível de se contar histórias do género fantástico, de fantasia e ficção científica, que seria muito difícil, com pouco material, adaptar a um formato vídeo.

E é um formato que está a ser muito bem aproveitado. Eis aqueles que eu considero mais noteworthy por entre os mares de conteúdo que a internet alberga.

Death at a Low Price

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Death at a Low Price é um podcast de ficção científica da Herbarium Podcasts, da autoria de Ollie Carter. Tem lugar numa loja de conveniência interdimensional chamada SlotSpot, que tem a particularidade de ser um hotspot – um dos raros sítios que está conectado a todos os mundos, dimensões e eras. No caso do SlotSpot, esta conexão acontece na sua porta rotativa, chamada a Porta Dimensional.

E visto que estão abertos 24 horas – se é que o tempo tem algum sentido nesta realidade – e recebem visitantes de literalmente toda e qualquer parte do tempo e espaço, torna-se um sítio rico em peripécias. Estas histórias são-nos contadas através de conversas de walkie-talkie entre os empregados, anúncios publicitários e store announcements.

Duas das coisas que eu preciso de salientar neste podcast é que tem um tipo de humor e universo absurdista semelhante ao Welcome to Night Vale, outro dos meus podcasts preferidos, mas que é mais conhecido – quem gostar de Welcome to Night Vale, é bem capaz de vir a curtir deste.

E que, tal como Night Vale, equilibra muito bem um worldbuilding baseado no estranho, no peculiar ao extremo, com personagens que já estão algo dessensibilizadas para aquela realidade. E que a reação delas já é basicamente “fffffffffff, pronto, está bem, já agora isto também pode acontecer”.

E visto que eles trabalham no atendimento ao cliente, esta não é uma realidade muito longínqua. Acham que alguém que trabalha no McDonalds ou no Pingo Doce quer saber se vocês começam a vomitar tentáculos na fila para a caixa? Os coitados estão em fim de turno, muito provavelmente ficam é putos da vida porque ainda vão ter de limpar.

Às tantas, claro, o plot começa a adensar-se mais do que isto, mas… não vou dar spoilers.

A única coisa que teria a apontar é que nos primeiros episódios – e não sei se isto melhora mais para a frente, porque ainda não acabei – alguns voice actors têm microfones de guerrilha, e o som não é tão limpo como seria de desejar. O que não seria problema se fossem todos assim, até podiam atribuir isso ao estilo, à linguagem do podcast. Mas como há atores que têm microfones com som pior e outros melhor, acaba por se notar que é mesmo do material. Não é um turnoff enorme, a história está lá, o enredo e as personagens são fixes e o soundmixing é bom. Mas é só para irem de sobreaviso.

The Adventure Zone

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Este não é de todo um podcast underground. Toda a gente, o cão e a avó o conhecem – mas, lá está, é um dos meus preferidos e é tão bom que não podia deixar passar.

The Adventure Zone é um podcast de Dungeons and Dragons pelos irmãos Travis, Justin e Griffin McElroy e o seu pai, Clint McElroy. Em que basicamente eles jogam um jogo de Dungeons and Dragons, seguindo os protagonistas Magnus, Merle e Taako em aventuras que vão desde o típico dungeon de high fantasy até a um mistério de um assassinato num comboio.

Começa como uma história muito leve, mas não. Se deixem. Enganar.

As personagens não são tão silly como eles querem que vocês pensem, e a certo ponto não vão saber dizer quando é que a história vos começou a partir o coração.

Estejam atentos. Muito, muito atentos.

E se gostam de podcasts de fantasia e Dungeons and Dragons, dêem uma olhada também no Dragons in Places, um podcast do mesmo género pelos Game Grumps. Ainda estou no primeiro episódio, portanto não posso recomendar, por assim dizer, mas os Game Grumps são uma força criativa incrível no que toca a comédia e improvisação, por isso meto muita fé nos projetos deles. Ah, e eles também são a entidade por detrás do jogo Dream Daddy – A Dad Dating Simulator, portanto… metam fé no que eles fazem.

The Penumbra Podcast

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The Penumbra Podcast é outro podcast de ficção científica, num futuro distante em que a exploração intergaláctica e o avanço da humanidade tornou a sociedade numa perfeita distopia.

Penumbra é o nome do mais grandioso hotel deste lado de Nenhures no qual habitam os hóspedes cujas histórias vamos conhecer, ou de um comboio que para nos sítios que têm uma história para contar. A história que seguimos maioritariamente é a de Juno Steel, residente em Marte e um detetive que dá por si metido nos mais perigosos e intrincados casos que envolvem mafiosos do entretenimento, maridos desaparecidos e erros do passado que teimam em voltar.

É contado na primeira pessoa pelo próprio Juno, mas intercala eventos passados, presentes, recordações e diálogos, de uma forma muito fluída e que nunca nos deixa perder o fio à meada. Juno exige e prende a nossa atenção com a forma como nos encaminha pela sua história.

Cada “capítulo” da história principal de Juno tem dois episódios, que depois se segue de uma história standalone com outros personagens.

Os voice actors são incríveis, e conseguem dar uma vida incrível a personagens já de si interessantes. E o universo da história é fascinante, expansivo e imensamente intrínseco. Quando pensamos que já sabemos alguma da sua extensão, aparece algo que nos põe um nível mais a fundo, um planeta mais adiante.


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