Universos Cinemáticos

Hollywood está sempre a seguir determinadas tendências e as mais recentes são os Universos Cinemáticos. Isto consiste em vários filmes passados no mesmo universo mas com personagens e situações diferentes em cada um.

Exemplo de quando um universo cinemático funciona.

Quando a Marvel Studios começou o seu universo cinemático em 2008 com Homem de Ferro, o público ficou curioso. Que dizer, tanta coisa poderia correr mal. Capitão América: O Primeiro Vingador (2011) e Thor (2011) poderiam ter sido flops. Pior ainda seria se Os Vingadores (2012) fosse mau. Essa possibilidade poderia arruinar a franquia Homem de Ferro. Mas o plano da Marvel funcionou e Vingadores tornou-se num sucesso estrondoso.

Mas como é natural, todos os outros estúdios de Hollywood quiseram fatias desse bolo.

Foi a partir daí que a Warner Bros. pegou nos super-heróis da DC para tentar fazer algo semelhante, a Universal Studios foi ao seu arquivo de monstros para planear um crossover entre a Múmia, Drácula, Frankenstein, e a Legendary Entertainment começou a planear um crossover entre Godzilla e King Kong, cuja estreia está planeada para 2020.

Tenho de admitir que estou entusiasmado para ver monstros gigantes a andar à porrada.

Okay, um exagero de estúdios a querer ser a Marvel, mas podia ser que estes universos funcionassem. O problema é que não parou por aqui. Também a SONY e a FOX, que tinham ainda os direitos de franquias originárias da Marvel, quiseram expandir o que tinham para terem universos cinemáticos igualmente expansivos. Por isso, a Fox decidiu começar a lançar mais filmes da saga X-Men e a SONY quis que O Fantástico Homem-Aranha 2 (2014) fosse o set-up para pelo menos mais 2 sequelas e 3 spin-offs…

A ideia da SONY colapsou quando Fantástico Homem-Aranha 2 foi uma flop. Gastaram tanto dinheiro em publicidade que apesar de o filme ter ganho mais de 700 milhões de dólares nas bilheteiras, o estúdio quase que não conseguiu cobrir os custos. Tiveram sorte e a Marvel fez um acordo para integrar Homem-Aranha no seu Universo Cinemático. Mas fãs de Andrew Garfield no papel de aranhiço que queriam ver a resolução da sua narrativa ficaram a ver navios…

Quem era aquele homem misterioso? Nunca saberemos.

Alguns destes estúdios acharam que iam tornar as suas franquias mais valiosas mas só acabaram por dar tiros nos próprios pés. Também aconteceu algo semelhante com Transformers. A Paramount queria passar a fazer filmes anualmente e com a pressa, Transformers: O Último Cavaleiro (2017) teve uma história ainda mais fraca e confusa do que a dos filmes anteriores. Por isso foi meio flop e o estúdio está a pensar na possibilidade de fazer um reboot se Bumblebee (2018) não for bem sucedido.

Ah e lembram-se de eu ter falado da Warner Bros? Bem, continuam na sombra da Marvel. Até agora o único filme do estúdio a ter sido tanto um sucesso crítico como financeiro foi Mulher Maravilha. Mas devido a Liga da Justiça não ter sido o sucesso que o estúdio pensava que iria ser, a sua estratégia agora  é apostar em histórias que não fazem parte deste universo cinemático, como o filme centrado em Joker que será produzido por Martin Scorsese e já conta com Joaquin Phoenix no elenco. Entretanto, o universo da Universal Horror ficou com o seu futuro posto em causa após A Múmia (2016) ter sido um fracasso. O que é uma pena, porque a Universal criou um universo cinemático muitas décadas antes da Marvel Studios. Fizeram-no em 1943 com Frankenstein Contra o Homem Lobo.

Ah e tal, a Marvel foi quem fez primeiro…

O problema é que agora a Universal estava a tentar transformar histórias de terror em aventuras ao estilos das dos filmes da Marvel. Mas acima de tudo, o problema destes universos expansivos é quando põem a carroça à frente dos bois e planeiam demasiados filmes, em vez de se focarem para fazer uma boa história.

Os Universos Cinemáticos que estão a funcionar melhor são aqueles que estão a oferecer algo que a Marvel não consegue.

Por exemplo, a saga X-Men tem uma continuidade confusa, por isso a Fox já nem está a levar isso muito a sério. Deixam cada realizador realizar cada filme como este achar melhor. Umas vezes isso corre mal (X-Men: Apocalypse) mas outras vezes isso leva a resultados únicos (Deadpool e Logan). Se bem que se a Walt Disney comprar a Marvel Studios, esta situação poderá mudar.

Por causa da Disney não vamos poder ter blockbusters tão deprimentes como Logan.

Outro caso de sucesso é o da saga Conjuring. Quase todos os anos vai haver um novo filme de terror passado nesse universo, mas os seus produtores estão a ter cuidado para manterem algum controlo de qualidade. Já houve um filme mau nesta franquia (Annabelle) mas o estúdio depressa reagiu de forma a não repetir os mesmos erros em Conjuring 2 (2016) e Annabelle 2 (2017)

Em suma, um universo cinemático só é tão bom quanto cada um dos seus filmes singulares.

Até os estúdios aprenderem isso, esperem ver mais universos cinemáticos abortados por um mau primeiro filme…