Trailer de Suspiria continua a mostrar o poder do terror psicológico

Suspiria parece à primeira vista ser mais um remake de um filmes clássico de terror. Mas nenhum remake pode-se afirmar como sendo “um filme de Luca Guadagnino“, o realizador de Chama-me Pelo Teu Nome (2017). Poucos filmes podem contar com uma banda sonora composta por um membro dos Radiohead. Mas acima de tudo, mais nenhum filme de terror lançado durante este ano parece ser tão fascinante como Suspiria.

Agora é a parte em que alguns leitores irão perguntar: “Então e A Freira?”. Essa é uma pergunta pertinente e eu não tenho qualquer forma de saber qual dos dois filmes será melhor. Além disso, a saga The Conjuring tem sido relativamente consistente (só o primeiro Annabelle desapontou). No entanto, essa é uma série de filmes mais tradicionalista. Seguem uma fórmula e executam-na bem. Não há problema nenhum nisso. O que Suspiria de Luca Guadagnino promete é outro tipo de experiência. Tal como os recentes The Witch (2015) e Foge! (2017) parece haver a promessa de mais um filme de terror alternativo que poderá não agradar a todos os espectadores, mas que nos fará embarcar numa jornada psicadélica diferente do que estamos habituados.

Para os interessados, eis o trailer:

O Suspiria original foi lançado em 1977 e realizado pelo italiano Dario Argento (que por acaso também é um dos realizadores mais influentes dentro do género de terror). Esta história de uma jovem que se vê envolvida num culto de bruxas foi mais marcada pela sua ambiência que parecia saída de um sonho do que por uma história coerente. Para quem já viu o filme original, a primeira coisa que provavelmente vai saltar à vista no remake é o facto de ter uma fotografia muito menos colorida. O clássico de Argento destacava-se pelas cores fortes e isso de facto foi algo que inicialmente me tirou algum do interesse no remake.

Além das cores, Suspiria de Dario Argento contou com uma banda sonoro estrondosa (e ao mesmo tempo sinistra) criada pela Goblin, uma banda de Rock. Mas aceitar Suspiria de Luca Guadagnino exige aceitar uma visão diferente e propositadamente menos estrondosa. O filme pode ainda não ter sido lançado, mas sinto que a visão de Guadagnino tem-me vindo a atrair cada vez mais, como se fosse hipnose. Qualquer desapontamento que me tenha surgido devido a falsas espectativas já desapareceu. Afinal de contas, o clássico vai continuar a existir, tal como a sua memorável banda sonora.

Será que o filme será bom? Com o talento envolvido espero muito bem que sim. Mas quer isso aconteça ou não, é difícil de negar que o projeto é ambicioso.

Suspiria terá a sua estreia no Festival Internacional de Cinema de Veneza no dia 1 de setembro mas só irá aos cinemas europeus a partir de novembro. Estou a fazer figa para que chegue de alguma forma a Portugal.


Artigo Exclusivo, e facultado pelo Cabo Cinético 

Nota que em qualquer altura poderá haver um video sobre o tema, e caso exista será actualizado o artigo com o video.